Publicado em 9/13/2017 4:33:20 PM

Famílias da Vila Nori, área de risco do Pilarzinho, ganham novas moradias no Cachoeira

O conjunto fará parte de um grande complexo de habitação popular construído pela Cohab na região Norte da cidade.

Quando abriu pela primeira vez a porta da casa 559, em uma das esquinas do Moradias Maringá 1, no Cachoeira, a aposentada Maria Francisca Bonfim, de 72 anos, deu início a uma nova etapa da vida. Mais que um endereço oficial, ela conquistou segurança e o conforto desejado por décadas. A moradia foi uma das 21 unidades entregues na manhã desta quarta-feira (13/9), pelo prefeito Rafael Greca, a famílias da Vila Nori - área de ocupação irregular no Pilarzinho.

O Moradias Maringá 1, onde elas vão morar, é um empreendimento da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) para o reprocessamento de 156 famílias que vivem em situação de risco. São 94 casas térreas e 62 sobrados que já deveriam ter sido todas entregues, porém, as obras iniciadas em 2009, sofreram duas interrupções, a primeira em 2011, e a outra em 2015, por conta do abandono das empresas que deveriam fazer os serviços.

Nas duas etapas de obras foram aplicados R$ 4,4 milhões dos recursos, sendo que, na segunda fase, além do governo federal foram incluídos recursos do município e da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Foram feitas obras de pavimentação de ruas, colocação de galerias pluviais e meios-fios e redes de água e esgoto. Na última vez, chegaram a ficar mais de um ano paralisadas. Em março deste ano, por determinação do prefeito, as construções foram retomadas.

“Curitiba não combina com ruínas, nem tão pouco com a corrupção feita por meio de obras não acabadas”, disse Greca. O prefeito contou que há um ano, em setembro, ainda no período de campanha eleitoral, esteve no  empreendimento que estava abandonado. “Concluiremos tudo o que ficou pela metade, temos o cronograma para a finalização das outras 135 moradias que serão entregues em etapas, até o julho do ano que vem”,  disse o prefeito.

Para o reinício da obra foram contratados R$ 8,7 milhões, com recursos oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Caixa Econômica, com contrapartida do município. “São recursos que servirão para finalizar todas as moradias e promover a recuperação ambiental das áreas que ficarão livres após a saída das famílias das áreas de origem”, diz o presidente da Cohab, José Lupion Neto.

Unidade Adaptada

O Moradias Maringá 1 ocupa 30 mil metros quadrados de área no fim da Rua David Bodziak, quase na divisa com Almirante Tamandaré e a aproximadamente 7 km de distância da Vila Nori.  As famílias, dependendo da composição, morarão em casas ou sobrados de alvenaria com até três quartos. Há ainda uma unidade adaptada que será destinadas à pessoa que usam cadeiras de rodas.

Maria Francisca trocou uma precária casa de madeira, equilibrada em um dos barrancos da Vila Nori e com o risco eminente de deslizamento, por uma das casas no Maringá. Para ela, a mudança é um recomeço. “Estou de  luto, perdi recentemente uma irmã. Me ocupar com a casa será uma forma de acreditar em dias melhores”, disse a aposentada, líder da Pastoral da Criança na paróquia São Marcos, no Pilarzinho. “Eu vou viver com mais segurança, sem medo de que a chuva ou o vento derrubem a minha casa”, disse.

Outra moradora que comemorou a conquista foi a diarista Greisielen Nascimento, de 30 anos. Ela viverá com o marido e os dois filhos em um dos sobrados do conjunto. “O novo lar é a esperança de dias melhores para a família”, disse Greisielen. Na Vila Nori, a moradia da família era precária, de apenas dois cômodos, sem banheiro e com risco de desabamento. Improvisado no porão da casa, com piso de chão batido e pouca estrutura, o banheiro era considerado o espaço de “castigo” pela família.

Na entrega das moradias as famílias assinaram os contratos de cessão de uso dos domicílios. As mudanças serão realizadas nesta sexta (15/9) e na segunda-feira (18/9) com o apoio e acompanhamento das equipes da Cohab. À medida que forem desocupadas, as casas antigas serão demolidas para evitar que ocorram novas ocupações irregulares que inviabilizariam obras de infraestrutura na Vila Nori.

Assim como o cuidado com o transporte dos móveis, a equipe de serviço social da Cohab - responsável pela preparação e acompanhamento das famílias antes, durante e após o processo de reassentamento, por meio de uma parceria com a Rede de Proteção Animal, fará o transporte dos animais de estimação até as novas moradias.

O conjunto fará parte de um grande complexo de habitação popular construído pela Cohab na região Norte da cidade e que inclui os residenciais Santa Sofia, Cedros, Pinheiros, Aroeira, Imbuia, Palmas de Ouro, Paineiras 1 e 2, Maringá 2 e Figueiras. O residencial Figueiras, com 80 apartamentos está em fase final de obras. Dessa forma, o programa habitacional do município viabilizou mais de 3 mil moradias, transformando a região que era um dos últimos vazios demográficos da cidade.

Vila Nori 

A Vila Nori é uma ocupação irregular formada há mais de 30 anos em um terreno que pertencia à Urbs e foi transferido para a Cohab para que a regularização da área e a titulação pudessem acontecer. A área tem restrições da Legislação Ambiental para uso habitacional devido à Área de Proteção Ambiental do Rio Barigui. Há ainda área de fundo de vale que deverá ser preservada. A região está localizada ao Norte da cidade, no bairro Pilarzinho, distante 6,5km do centro da cidade.

Participaram da cerimônia de entrega os vereadores Bruno Pessuti, Julieta Reis, Sergio Balaguer e Dr. Wolmir. Também acompanharam o evento o coordenador geral da Utag, Paulo Socher, a administradora Regional do Boa Vista, Janaína Lopes, o presidente da Associação de Moradores, Joacir Zonta, e o presidente da Associação do Tribunal de Contas do Paraná, Evandro Arruda.

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