Publicado em 12/13/2017 5:47:49 PM

Casa adaptada garante vida nova para a família de seu Dacílio

Ele vivia em área de risco onde não conseguia sair de casa devido a falta de acessibilidade.

Durante toda a manhã o sorriso não saiu do rosto do pedreiro Ari Pires, 48 anos. No início da semana, ele realizou o sonho de garantir uma vida mais confortável para o pai, Dacílio Pires, 75 anos. Eles foram transferidos pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) da Vila Nori, no Pilarzinho, para uma casa nova no Moradias Maringá, no Cachoeira.

A Vila Nori é das poucas favelas de Curitiba erguida em morro – para chegar em casa é necessário descer ladeiras estreitas, enfrentar trilhas de barro e becos. Obstáculos perigosos para quem usa cadeira de rodas. Seu Dacílio, como é carinhosamente conhecido na comunidade, foi um dos primeiros moradores a chegar à vila há mais de três décadas. Há oito anos sofreu um acidente vascular cerebral que lhe tirou os movimentos das pernas e braços e também a fala.

“Eu tinha 12 anos quando chegamos aqui. Só tinha umas três casas e o resto era mato. Com o passar dos anos a vila foi aumentando e a própria comunidade se organizava para fazer escadas de cimento, calçadas e algumas vielas. Quem não podia pagar ajudava com trabalho”, relembra Ari.

Dificuldade

Desde o derrame do pai, os quatro filhos se revezam para cuidar dele. Dar banho, vestir e alimentar são tarefas divididas entre Ari, Gilmar, Sueli e Sílvia. Levar seu Dacílio para passear era uma vontade, mas a dificuldade de locomoção da cadeira de rodas no terreno irregular tornava esta missão quase impossível.

Em consequência desta complicação, seu Dacílio passava os dias dentro de casa. Uma frágil moradia de madeira antiga, com grandes frestas, piso cedendo e banheiro apertado. “Muito triste ver o pai passar a velhice dentro de casa, sem poder dar uma volta, ver coisas diferentes”, diz o filho.

A falta de acessibilidade trazia outro problema: a impossibilidade de veículos chegarem ao local. “Aqui não desce ambulância, polícia, nada. Esse era nosso medo, de ter uma emergência e a ambulância não conseguir chegar aqui”, conta Sueli.

Mudança

Com os pertences encaixotados, Ari pensava nos últimos detalhes do que levar para a casa nova. Separou mudas de couve, cebolinha, salsinha e arrancou o pé de laranja para ser replantado. “O que tem de bom eu vou levar, os móveis que estão muito velhos vou deixar para trás. Aos poucos vamos comprando novos, para combinar com a casa nova”, diz, empolgado.

A unidade adaptada conta com rampa de acesso, portas mais largas e barras de sustentação no banheiro. “Vai ajudar demais a entrar e sair de casa e na hora de dar banho. É muita alegria dar esta condição para ele depois de tanto sofrimento”, destaca Ari.

Após arrumar a mudança, a família pretende construir um muro e ampliar a cozinha. “Cozinha grande é bom para reunir a família”, afirma Sueli. Mesmo sem conseguir falar, estava fácil perceber a felicidade estampada no rosto de Dacílio. O riso fácil de quem sente que o futuro será melhor que o passado.

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